sábado, 27 de outubro de 2007

Discussão


- Mas eu pensei...
- PENSOU?!! É EXATAMENTE ISTO QUE ESTOU LHE FALANDO. Não pense. Não I-M-A-G-I-N-E. - disse o tutor enquanto a olhava de forma furiosa.
- Des... desculpe. Eu não qu...
- Francamente, eu nunca esperaria isso de você. Não nas circunstâncias em que nos encontramos, no mundo de hoje.

Dessa vez a menina decidiu não falar. É, é claro que eu estou errada. Virou a cabeça para a janela, mas se arrependeu quase que imediatamente. Lá fora a multidão ainda gritava: PARE DE IMAGINAR! PARE DE IMAGINAR! E a polícia já havia até isolado o seu prédio, mas obviamente não concordavam com o que ela andava fazendo. Não no mundo de hoje.

Uma lágrima fujona quis a todo custo vazar dos seus olhos, mas foi detida no cantinho do seu olho. Ao que parecia todo o mundo estava furioso com ela. Na televisão já se falava que o jugamento estava marcado para o dia seguinte.

Se eu conseguisse sair dessa... Mas como? Não, não há nenhuma forma. Afastou o cabelo dos olhos e implorou para que a voz do seu tutor parasse de girar na sua cabeça: "Não pense".

Arriscou um segundo olhar para fora e desvio-o vagarosamente da multidão, que aprovava em uníssono a nova Lei mundial. Olhou para o céu cinza e percebeu uma pequena mancha amarelada que se aproximava cada vez mais.

- PARE DE IMAGINAR! PARE DE IMAGINAR! - A multidão gritou mais alto e a mancha amarela voltou aflita para o seu esconderijo onde os olhos na janela não poderiam mais vê-la. A multidão continuou a aumentar o tom das vozes e a garota levantou as mãos para segurar a cabeça, parecia que ia rachar!

Enquanto isso, em um ambiente muito menos caótico...

- Marcelo? Marcelo? EI MARCELO!!
- HAN? HAN? Oi, desculpa, eu acho que cochilei. - Disse o menino empertigando-se e aproximando mais o telefone do seu ouvido. Pelo visto a discussão vai recomeçar...




2 comentários:

gato de Schrödinger disse...

Bom, srta. Melo, não tenho certeza se realmente compreendi todo o teor de sua historinha, entretanto, ao que parece, trata-se de um devaneio pseudo-louco-filosófico de um garoto, enquanto falava com outra personagem ao telefone, não? E, também talvez, a história pela qual essa misteriosa menina passa fosse influenciada pelo que ela ouvia, ainda que vagamente, do que a personagem secundária continuava a falar ao telefone, estou correto? (Sendo assim, posso estar sendo algo paranóico, mas esse pequeno conto não seria uma crítica dissimuladamente direta ao seu namorado, seria?)

Bom, chega de discorrer sobre teorias e possibilidades. No mais, bom texto, apesar de umtanto vago (não se era a intenção) e de alguns erros de português que passaram na revisão.

Beijo do gato.

Enzo disse...

gostei da imagem
o texto ficou mais pela interpretacao daqueles mais proximos de voce

andava sumida ein?
bjos

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