segunda-feira, 7 de janeiro de 2008

Perdeu-se na mente...

- Mas, eu não posso! Ninguém pode parir assim! Você sabe o que é parir? Então, é impossível! Meu Deus, eu perdi meu filho em algum lugar e o que você me pede? É impossível parir um filho igual ao outro, ainda mais assim: como se fosse de uma hora pra outra.

- Francamente, você sabe do que eu estou falando.

- Sei, e repito. Não posso fazê-lo de novo.

- Então faça outro! Espero um já encaminhado em pelo menos dez minutos. - disse e saiu embalado pelo ruído dos seus sapatos italianos em atrito com o lustroso piso de madeira.

A moça despencou na cadeira em frente a sua escrivaninha, empunhou a caneta e franziu a testa. Dez minutos após ainda pensava no filho perdido.

E o seu papel continuava em branco.

domingo, 23 de dezembro de 2007

Novo Começo: Explanações básicas

E o mundo seguiu adiante...?
Quando me deparei com essa frase pela primeira vez, em um livro de Stephen King, me surpreendi com a simplicidade da frase e ao mesmo tempo com a quantidade de idéias que ela poderia passar.
Stephen King utilizava essa frase em contextos como: Roland perseguiu a homem de preto no deserto, e o mundo seguiu adiante. Ou algo como: Roland, o último matador, já tinha pertencido a uma família, mas isso tinha sido antes do mundo seguir adiante.
Com certeza percebemos que o autor tenta, vez por outra, sublinhar esta frase colocando-a em um contexto que não a delimita, só assegura a possibilidade de uma outra significação.

Demorei-me nesses detalhes a toa, pois não trabalhei no mesmo sentido de SK, pelo menos assim o penso.
Uma garota na janela, e o mundo segue adiante.
Um mito da caverna, e o mundo segue adiante.
Reflexões no ônibus, e o mundo segue adiante.
Um prefeito reclamão, e o mundo segue adiante.
Um cheiro familiar, e o mundo segue adiante.

Esse foi o sentido trabalhado por mim. Quando criei esse blog já pensava em sua real utilidade para o mundo e para mim. Na verdade, não importa o quanto eu escreva, ou sobre o que eu escreva, nem pra quem eu escreva.
O mundo sempre seguirá adiante...

quarta-feira, 5 de dezembro de 2007

Musical

Eu não encontrei a imagem perfeita para o que eu gostaria de escrever aqui, porém penso que se tal foto fosse encontrada não haveria necessidade de mais que cinco palavras como: É o que eu queria!

Estou falando de um sentimento que me pega de jeito geralmente quando estou na rua, lugar em que costumam ser estranhas manifestações musicais. Mas hoje eu estava pensando: e se eu estivesse em um musical?

Nesse caso, acredito que não seria estranho sentir vontade de reviver os tempos de coral, ali mesmo, em frente à padaria! Eu poderia correr, cantando e conduzindo uma coreografia. Não interessaria se fosse música de Natal, metal ou reggae. Eu poderia simplesmente gritar “altão”: Hey, teachers! E as pessoas sairiam de casa, me acompanhando em um: Leave these kids alone!

Seria muito engraçado, sem dúvida. Imagino até que, "do nada", poderiam cair rosas de algum lugar ou mesmo aqueles papeizinhos brilhosos que saem de um canhão e grudam na gente.

Eu sinceramente acho que a música tem uma força incrível, como a das cores, na verdade sempre as vejo juntas. É como um "We can be heroes" num cenário todo céu e, logo em seguida um "forever and ever!" agora com algumas explosões coloridas acompanhando o fulgor da música.

É muita besteira, não? No entanto, como diria Aristóteles: "Que seria bom seria, né?"

quinta-feira, 22 de novembro de 2007

O Shampoo


Fazia quatro anos da última vez que a havia visto, depois disso nenhum contato. Fazia quatro anos, mas, mesmo não sendo tanto tempo assim, parecia que tinha sido um século.
Com certeza ela estava mudada e ele também.
Observou-a enquanto esta falava e percebeu que ainda restavam algumas manias antigas na fala da garota. Definitivamente ela não havia perdido seu encanto, porém ele sabia que as coisas estavam diferentes.
Sorriu por dentro, agora ele já podia falar com ela sem aquele incômodo frio na barriga e sem o nervosismo que o fazia suar as mãos toda vez que se aproximava um pouco mais.
Escutou-a falar até a hora da despedida. Até que, inesperadamente, a menina o abraçou. Tchau, Fernando. Seus cabelos foram transportados até perto do nariz deste.

O cheiro.
Tudo ao redor... E o cheiro, tão suave e tão imponente.

O reconhecimento.
Uma aproximação tímida há quatro anos, o vento, cabelos balançando e... O mesmo cheiro.

A menina se afastou e sorriu-lhe antes de se virar e partir. Fernando continuou paralisado, preso por um pensamento...

O pensamento.
Ela nunca trocou de shampoo.

Um sentimento.
Bastou-lhe um cheiro para esfriar sua barriga. O cheiro de uma adolescência. O cheiro de um amor verdadeiro.

PS.: Imagem retirada do site deviantart.com, assim como todas as outras xD, mas eu sempre esqueço de colocar o link, excusez-moi.

sábado, 3 de novembro de 2007

Rotação



Todo dia sento em uma parada e espero...

Se observo um ônibus passar no sentido oposto, me alegro. Pronto! Era o sinal de que precisava para me encher de esperanças... minha espera diária estava quase no fim!

Quando minha espera se encerra, não vejo, mas outra pessoa toma meu lugar. E quando um ônibus passa no sentido contrário talvez também se alegre. Sua espera já está quase no fim.

E quando esta segue, sem ninguém saber, outra pessoa toma seu lugar e outra e outra e outra...

Percebi, então, que não vivíamos de 24 em 24 horas.

Claro que não! Nesse momento, percebi que a nossa vida era composta de vários ciclos, não ciclos individuais, mas ciclos conjuntos, como uma brincadeira de roda sem mãos dadas... Percebi apenas o microcosmo da espera pelo Recanto dos Vinhais, e desse ciclo posso afimar: a vida se repete de 15 em 15 minutos.

(Ps.: É até um paradoxo uma imagem tão estática e um título tão estonteante)

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