Recentemente, assisti a uma entrevista com Robert Happe disponível no youtube, na qual, o pesquisador espiritualista fala, por 34:20min, basicamente sobre como o homem deveria parar de afirmar que a vida é difícil e inexplicável e, simplesmente, amar.
Instigada pelas palavras acalentadoras do entrevistado, resolvi pôr em prática seus ensinamentos e, para isso, escolhi o momento exato: minha ida à casa de uma amiga.
Entrei no ônibus com o intuito de ser simpática e jorrar amor por todos os lados. Desejei boa tarde ao motorista, tentei fazer aquela cara de "eu já superei todas as coisas mundanas" que algumas pessoas têm. Sorri para a velhinha cheirosa que sentou ao meu lado. Enfim, não cabia em mim de tanto altruísmo. Peguei outro ônibus, agora um lotado. Fiquei na porta, encontrei um velho amigo e fui, feliz da vida e pendurada no ferro, até a minha parada.
Parei, então, para algumas reflexões... Perguntava-me se tudo aquilo daria certo. Parecia que sim, afinal, se todos se amassem seria uma boa. Mas e se só eu amasse os outros? Bem, aí as coisas não dariam tão certo assim. E o que eu poderia fazer para que todos se amassem? Talvez o mundo devesse ser mais simples, e, como o próprio Happe disse, as pessoas deveriam parar de tentar lucrar em cima das outras...
Parar de lucrar! Bem, para isso, conclui, seria necessário que a passagem de ônibus ficasse mais barata.
quinta-feira, 7 de agosto de 2008
Sobre amor e miudezas...
sábado, 28 de junho de 2008
Ê, Maioba! O meu batalhão!
Todo o ano a história se repete, centenas de pessoas se reúnem alvoroçadas diante de um palco para assistir um famoso boi oriundo do Passo do Lumiar e com sotaque de matraca. Os bois de matraca que me perdoem, mas falar em matraca é falar em Maioba.
Os turistas ficam inquietos enquanto aguardam ansiosamente pelo tão falado boi. Os que já assistiram alguns bois com sotaque de orquestra, imaginam roupas esplendorosas, dança graciosa e bem ensaiada e a melhor orquestra que já foi utilizada nesta dança popular.
Quando os 6 ônibus que pude contar chegam trazendo os brincantes e músicos, a atmosfera fica muito mais tensa. Uma moça, que vende os CD's e DVD's do grupo, exibe uma camisa em que se lê: "Boi da Maioba, a maior orquestra de percussão do Mundo”.
Todos lutam por seus lugares perto do palco, eu consigo o meu na segunda fileira. Depois de dez minutos de passagem de som, pontuados pelos comentários de um integrante do grupo, ouve-se a voz de Chagas, o famoso cantador da Maioba.
Minha prima reclama que o palco é muito pequeno para tantos integrantes e eu aproveito para alertá-la que melhor que ver o Boi da Maioba é ouvi-lo. Meu irmão me corrige: melhor que ver e ouvir Maioba é senti-lo.
Enquanto isso, a música de Chagas comprovava o que meu irmão dizia, quando as matracas entraram na dança, todos, brincantes e espectadores, entraram em sintonia. Era a batida do coração ou eram as batidas dos pés no estrado, não sabia dizer o que aquele som representava, mas achei bom, apesar do calor, me senti engolfada por aquela atmosfera de calor humano e sonoro.
Mesmo que eu não conseguisse escutar o coro, e que o som da percussão fosse muito baixo para as primeiras fileiras (depois pude constatar que atrás estava melhor), considerei o som em si um show a parte.
As roupas ou fantasias deste ano estavam melhores que em anos anteriores: as índias e os caboclos de pena ainda conservavam a maior parte das penas que compunham seus trajes. Além disso, havia mais unidade nos trajes dos brincantes que em anos anteriores. Muitos brincantes estavam visivelmente bêbados, uns bêbados de cachaça, outros de amor. A dança dos "artistas" era mais instintiva que ensaiada, o que deixava o espetáculo um pouco desorganizado.
A coisa só piorou quando apareceram os "turistas", sem mais nem menos subiram no palco e começaram a dançar com os chapéus dos brincantes e a tirar fotos em plena apresentação do grupo. Os dançarinos menos empolgados não pareciam se importar, atrasavam a dança para sair nestas fotos também.
Já os caboclos de pena, não se desconcentravam na sua dança e cumpriam a sua missão de balançar seus grandes e pesados chapéus de pena. Aquela dança rodada era a mais fascinante.
Foi, então, que percebi: as matracas, as zabumbas e os pés batendo no chão naquela animação podiam muito bem resumir o grupo que este ano comemora 111 anos de Maioba. Entendi a paixão que o grupo despertava ao olhar pro céu e ver quanta poeira dançava alegremente lá em cima. O Boi fez tremer o chão e sacudiu a poeira. Observei alguns instantes, mas, em seguida, abaixei a cabeça: cinco ciscos acabavam de entrar nos meus olhos.
Os turistas ficam inquietos enquanto aguardam ansiosamente pelo tão falado boi. Os que já assistiram alguns bois com sotaque de orquestra, imaginam roupas esplendorosas, dança graciosa e bem ensaiada e a melhor orquestra que já foi utilizada nesta dança popular.
Quando os 6 ônibus que pude contar chegam trazendo os brincantes e músicos, a atmosfera fica muito mais tensa. Uma moça, que vende os CD's e DVD's do grupo, exibe uma camisa em que se lê: "Boi da Maioba, a maior orquestra de percussão do Mundo”.
Todos lutam por seus lugares perto do palco, eu consigo o meu na segunda fileira. Depois de dez minutos de passagem de som, pontuados pelos comentários de um integrante do grupo, ouve-se a voz de Chagas, o famoso cantador da Maioba.
Minha prima reclama que o palco é muito pequeno para tantos integrantes e eu aproveito para alertá-la que melhor que ver o Boi da Maioba é ouvi-lo. Meu irmão me corrige: melhor que ver e ouvir Maioba é senti-lo.
Enquanto isso, a música de Chagas comprovava o que meu irmão dizia, quando as matracas entraram na dança, todos, brincantes e espectadores, entraram em sintonia. Era a batida do coração ou eram as batidas dos pés no estrado, não sabia dizer o que aquele som representava, mas achei bom, apesar do calor, me senti engolfada por aquela atmosfera de calor humano e sonoro.
Mesmo que eu não conseguisse escutar o coro, e que o som da percussão fosse muito baixo para as primeiras fileiras (depois pude constatar que atrás estava melhor), considerei o som em si um show a parte.
As roupas ou fantasias deste ano estavam melhores que em anos anteriores: as índias e os caboclos de pena ainda conservavam a maior parte das penas que compunham seus trajes. Além disso, havia mais unidade nos trajes dos brincantes que em anos anteriores. Muitos brincantes estavam visivelmente bêbados, uns bêbados de cachaça, outros de amor. A dança dos "artistas" era mais instintiva que ensaiada, o que deixava o espetáculo um pouco desorganizado.
A coisa só piorou quando apareceram os "turistas", sem mais nem menos subiram no palco e começaram a dançar com os chapéus dos brincantes e a tirar fotos em plena apresentação do grupo. Os dançarinos menos empolgados não pareciam se importar, atrasavam a dança para sair nestas fotos também.
Já os caboclos de pena, não se desconcentravam na sua dança e cumpriam a sua missão de balançar seus grandes e pesados chapéus de pena. Aquela dança rodada era a mais fascinante.
Foi, então, que percebi: as matracas, as zabumbas e os pés batendo no chão naquela animação podiam muito bem resumir o grupo que este ano comemora 111 anos de Maioba. Entendi a paixão que o grupo despertava ao olhar pro céu e ver quanta poeira dançava alegremente lá em cima. O Boi fez tremer o chão e sacudiu a poeira. Observei alguns instantes, mas, em seguida, abaixei a cabeça: cinco ciscos acabavam de entrar nos meus olhos.
sábado, 24 de maio de 2008
O mágico Canto Orfeônico

Fazendo algumas pesquisas sobre educação, música e Grécia, me deparei com o desconhecido: um tal canto Orfeônico. Instigada pela curiosidade tentei entender que tipo de canto era este e, agora, em síntese, lhe apresento o fruto de uma pesquisa relativamente extensa, mas muito proveitosa.
Orfeu (do grego Orpheos) é, como até a difamada wikipédia pode afirmar, um deus da mitologia grega. O que distinguia Orfeu dos outros deuses era o seu talento para a música e para a poesia. Conta-se que o canto de Orfeu tinha o poder de atrair animais terrestres e aves, assim como as contemporâneas princesas de Walt Disney fazem nos filmes.
Além da gramática, da aritmética e da astronomia, os gregos davam muito valor à música. Nomes, como o de Platão e Pitágoras, podem aparecer em artigos de música. Não por acaso, a música dos ainurs criou o Universo da Terra Média em Tolkien.
Mas não é preciso discorrer tanto sobre a música para chegar ao ponto essencial: o canto orfeônico. Como vocês devem imaginar, o canto orfeônico consiste na utilização da voz, principalmente, e de outros instrumentos, como a lira, para o encantamento dos animais. Surpreendi-me ao constatar em documentos que este tipo de canto não era visto como uma litania ou como uma insanidade. Para meu espanto, este gênero musical era ensinado em Écoles bem conceituadas na Idade Média.
Por sorte descobri um pouco do que se ensinava naquela época, ou seja, o “programa da disciplina”. Além de técnicas vocais, como respiração, classificação e colocação da voz, o futuro orfeão deveria aprender alguns "rituais" essenciais. Em primeiro lugar, aprendia-se a atitude do orfeonista, e, pelo que pude entender, tanto a posição como os gestos do músico eram fundamentais para o encantamento do animal. Além disso, antes de iniciar sua prática o orfeão deveria realizar uma saudação orfeônica, como uma espécie de demanda de permissão para a natureza, que promoveria a perfeita sintonia entre o orfeão e a natureza.
Encantada com os métodos de ensino do canto orfeônico, ainda agora me pergunto quais as razões que privaram o nosso tempo desta modalidade de canto. Talvez ele fosse pudesse propiciar ao homem a comunicação com os outros seres, talvez lembrasse ao homem que ele também é parte da natureza e do cosmo, talvez...
Orfeu (do grego Orpheos) é, como até a difamada wikipédia pode afirmar, um deus da mitologia grega. O que distinguia Orfeu dos outros deuses era o seu talento para a música e para a poesia. Conta-se que o canto de Orfeu tinha o poder de atrair animais terrestres e aves, assim como as contemporâneas princesas de Walt Disney fazem nos filmes.
Além da gramática, da aritmética e da astronomia, os gregos davam muito valor à música. Nomes, como o de Platão e Pitágoras, podem aparecer em artigos de música. Não por acaso, a música dos ainurs criou o Universo da Terra Média em Tolkien.
Mas não é preciso discorrer tanto sobre a música para chegar ao ponto essencial: o canto orfeônico. Como vocês devem imaginar, o canto orfeônico consiste na utilização da voz, principalmente, e de outros instrumentos, como a lira, para o encantamento dos animais. Surpreendi-me ao constatar em documentos que este tipo de canto não era visto como uma litania ou como uma insanidade. Para meu espanto, este gênero musical era ensinado em Écoles bem conceituadas na Idade Média.
Por sorte descobri um pouco do que se ensinava naquela época, ou seja, o “programa da disciplina”. Além de técnicas vocais, como respiração, classificação e colocação da voz, o futuro orfeão deveria aprender alguns "rituais" essenciais. Em primeiro lugar, aprendia-se a atitude do orfeonista, e, pelo que pude entender, tanto a posição como os gestos do músico eram fundamentais para o encantamento do animal. Além disso, antes de iniciar sua prática o orfeão deveria realizar uma saudação orfeônica, como uma espécie de demanda de permissão para a natureza, que promoveria a perfeita sintonia entre o orfeão e a natureza.
Encantada com os métodos de ensino do canto orfeônico, ainda agora me pergunto quais as razões que privaram o nosso tempo desta modalidade de canto. Talvez ele fosse pudesse propiciar ao homem a comunicação com os outros seres, talvez lembrasse ao homem que ele também é parte da natureza e do cosmo, talvez...
Não sei até que ponto o leitor acompanhou o meu encanto por este canto, até a pouco, desconhecido por mim, mas gostaria de dizer-lhes que não se deixem enganar por minhas palavras. O canto orfeônico existe ainda hoje e não é a arte de encantar animais, muito menos o documento que eu encontrei era da Idade Média, na verdade era apenas o programa da cadeira de música e canto orfeônico de uma escola maranhense do séc. XX. A definição acima eu inventei, canto orfeônico consiste em um canto coletivo praticado por estudantes, e chegou a ser obrigatório em alguns países, como a França. Não deixa de ser interessante, mas eu preferiria se fosse de outra forma...
sexta-feira, 16 de maio de 2008
Frases que marcam o Brasil
Coerção, em uma compreensão básica, é a ameaça da aplicação de alguma sanção por parte de um indivíduo de forma a induzir outro indivíduo a uma ação. Para Dahl, teórico das Ciências Sociais, a coerção consiste em uma mudança das possibilidades do outro indivíduo. Este conceito não é tão difícil entender quando se pensa no Brasil.
Uma famosa frase da nossa história pode, fora de um contexto, ser considerada um exemplo de frase coercitiva, ou melhor, de uma imposição. Estou falando da clássica "Independência ou morte!”, proferida pelo príncipe regente às margens do Ipiranga, em 7 de setembro de 1822. A frase que virou título de capítulo em livros de História e que integra o refrão do nosso Hino da Independência.
Como disse, fora do contexto, esta frase é uma baita coerção! Ou Portugal consentia com a independência da sua colônia ou morria. Na verdade, até hoje tenho dúvidas sobre quem morreria. Será que Dom Pedro I estaria disposto a morrer lutando? Será que as elites brasileiras estariam dispostas a isso? Especulações a parte, a verdadeira coerção foi imposta um pouco antes do "grito de liberdade". Basta recorrer ao seu livro de História do Brasil para relembrar que a Corte portuguesa havia dado um ultimato a D. Pedro, desautorizando suas ordens e o ameaçando de perder a sucessão ao trono. Assim, diante deste ultimato, as possibilidades do príncipe regente mudaram.
Desta forma, a coerção pode ser observada em muitos momentos da nossa vida, não só em grandes eventos, mas nas pequenas relações, na família, na escola etc. Pensando na célebre frase de 7 de setembro, me recordei de outra frase...
Uma que é dita em diferentes horas do dia, em feriados, fins de semana e dias úteis. Que não é proferida por nenhum príncipe, mas por diversas pessoas, de diversas classes, nobres ou não. Que não é dita à margem de riachos, mas à margem de lagoas, em ladeiras, em pontos de ônibus etc. Aquela que foi adotada por diversos brasileiros, por diversas razões. Que, por gozação, é dita como "característica" da cultura brasileira. E que, com freqüência, muda as alternativas de diversos brasileiros. Não poderia ser outra...
"A bolsa ou a vida!"
Uma famosa frase da nossa história pode, fora de um contexto, ser considerada um exemplo de frase coercitiva, ou melhor, de uma imposição. Estou falando da clássica "Independência ou morte!”, proferida pelo príncipe regente às margens do Ipiranga, em 7 de setembro de 1822. A frase que virou título de capítulo em livros de História e que integra o refrão do nosso Hino da Independência.
Como disse, fora do contexto, esta frase é uma baita coerção! Ou Portugal consentia com a independência da sua colônia ou morria. Na verdade, até hoje tenho dúvidas sobre quem morreria. Será que Dom Pedro I estaria disposto a morrer lutando? Será que as elites brasileiras estariam dispostas a isso? Especulações a parte, a verdadeira coerção foi imposta um pouco antes do "grito de liberdade". Basta recorrer ao seu livro de História do Brasil para relembrar que a Corte portuguesa havia dado um ultimato a D. Pedro, desautorizando suas ordens e o ameaçando de perder a sucessão ao trono. Assim, diante deste ultimato, as possibilidades do príncipe regente mudaram.
Desta forma, a coerção pode ser observada em muitos momentos da nossa vida, não só em grandes eventos, mas nas pequenas relações, na família, na escola etc. Pensando na célebre frase de 7 de setembro, me recordei de outra frase...
Uma que é dita em diferentes horas do dia, em feriados, fins de semana e dias úteis. Que não é proferida por nenhum príncipe, mas por diversas pessoas, de diversas classes, nobres ou não. Que não é dita à margem de riachos, mas à margem de lagoas, em ladeiras, em pontos de ônibus etc. Aquela que foi adotada por diversos brasileiros, por diversas razões. Que, por gozação, é dita como "característica" da cultura brasileira. E que, com freqüência, muda as alternativas de diversos brasileiros. Não poderia ser outra...
"A bolsa ou a vida!"
terça-feira, 6 de maio de 2008
A primeira pessoa
Eu pensou em escrever um texto. Sobre ele. Começaria assim: Eu...
Mas Eu pensou que talvez os Outros nem se importassem em saber o que ele queria tanto escrever. Na verdade, até acho que Eu tava certo. O que importava todas as coisas que ele tinha percebido há alguns minutos?
Pensou, então, em escrever um texto muito bom, com outras palavras, mas que no fundo deixasse como mensagem exatamente o que Eu tava sentindo. O "grande lance" era não ser na primeira pessoa.
Oras, que preconceito com a pobre dessa pessoa. Parecia que ninguém se interessava por ela. Eu parou para se entristecer, afinal, era exatamente das desventuras dessa pessoa que queria falar.
"Mas, meu caro Eu, a literatura é universal. Não pode se prender a vida de uma simples primeira pessoa, não pode ter somente a função emotiva." Eu esperou que algum sábio pronunciasse estas palavras ao seu ouvido. Porém, sem que isso ocorresse, Eu regressou a consciência. Que fato peculiar era aquele, porque logo ele tinha que ser A primeira pessoa. Porque primeira? Porque hierarquizar pessoas?
Pensando em todas essas fracas reflexões de Eu, eu resolvi escrever, e mesmo que, como Eu, não desejasse inventar mais nenhuma outra história, acabei demonstrando tudo o que queria dizer. Como o bom escritor é aquele que se faz entender, acho melhor me explicar. E nessa empreitada, me entristeço, mais uma vez assim como Eu.
Existem coisas nessa vida que me são muito caras, e me apoio nestas coisas para, vez ou outra, me entender como parte de alguma coisa. Como agente, se é que me entendem. No entanto, sempre há esse momento, como este em que escrevo, em que me percebo na realidade, e qualquer coisa besta pode me levar a isso. É nesse momento que percebo, que não sou boa em nada e mesmo que fosse talvez não fizesse qualquer diferença, pois o mundo...grande e cheio de gente...
Bem, esse mundo sempre segue adiante...
sem mim e Eu.
Mas Eu pensou que talvez os Outros nem se importassem em saber o que ele queria tanto escrever. Na verdade, até acho que Eu tava certo. O que importava todas as coisas que ele tinha percebido há alguns minutos?
Pensou, então, em escrever um texto muito bom, com outras palavras, mas que no fundo deixasse como mensagem exatamente o que Eu tava sentindo. O "grande lance" era não ser na primeira pessoa.
Oras, que preconceito com a pobre dessa pessoa. Parecia que ninguém se interessava por ela. Eu parou para se entristecer, afinal, era exatamente das desventuras dessa pessoa que queria falar.
"Mas, meu caro Eu, a literatura é universal. Não pode se prender a vida de uma simples primeira pessoa, não pode ter somente a função emotiva." Eu esperou que algum sábio pronunciasse estas palavras ao seu ouvido. Porém, sem que isso ocorresse, Eu regressou a consciência. Que fato peculiar era aquele, porque logo ele tinha que ser A primeira pessoa. Porque primeira? Porque hierarquizar pessoas?
Pensando em todas essas fracas reflexões de Eu, eu resolvi escrever, e mesmo que, como Eu, não desejasse inventar mais nenhuma outra história, acabei demonstrando tudo o que queria dizer. Como o bom escritor é aquele que se faz entender, acho melhor me explicar. E nessa empreitada, me entristeço, mais uma vez assim como Eu.
Existem coisas nessa vida que me são muito caras, e me apoio nestas coisas para, vez ou outra, me entender como parte de alguma coisa. Como agente, se é que me entendem. No entanto, sempre há esse momento, como este em que escrevo, em que me percebo na realidade, e qualquer coisa besta pode me levar a isso. É nesse momento que percebo, que não sou boa em nada e mesmo que fosse talvez não fizesse qualquer diferença, pois o mundo...grande e cheio de gente...
Bem, esse mundo sempre segue adiante...
sem mim e Eu.
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