Era lindo. E na minha cabeça, finalmente se desenhava a explicação para tantas pessoas se amontoarem para este espetáculo. Em outros lugares. Mas não lá. Havia outras pessoas, muitas, na verdade. Mas ao nosso redor, só o nosso grupo. E entre eu e você, apenas alguns passos. Passei a noite toda tentando te tocar. Te dar a mão, te mostrar que, diabos, devia ter alguma coisa entre nós. Algumas entrelinhas negligenciadas por você. Não sei se você me olhou durante os fogos. Também não consegui observar as outras feições. Por alguns instantes, me senti engolida pela singela beleza que pretendia me cobrir. Não havia o que pensar, o que descobrir, o que decifrar. Apenas olhar. Após a última desfragmentação das luzes no azul escuro, pude ver o seu olhar de êxtase e cumplicidade. Pouco antes de você virar para o lado e começar a falar com outra pessoa. Trocamos alguns comentários excitados e continuamos a caminhada. Dentro de mim, a minh’ alma se acalmou. Sem carícias ou sem palavras, nos tocamos. Em um momento para dois.”
sexta-feira, 18 de novembro de 2011
Nosso momento
quinta-feira, 20 de outubro de 2011
Espero, espero e espero. Por você.
Talvez essa filosofia não seja suficiente. Talvez os livros não pareçam tão convidativos se não puder te ouvir hoje. Talvez a arte realmente não faça mais sentido pro sujeito. Pra quê tanta informação? Pra quê tanta estética? Pra quê tanto divertimento? Nada disso me fez esquecer que existia você.
Deve existir. Deus, tem que existir. Só preciso de um rosto. Um sorriso sincero, um olhar acolhedor, para desbravar o mundo ao meu redor. Além disso, nada faz sentido. É como atirar flechas, vendada, em um quarto escuro, com assoalho rodopiante. Uma hora eu sei que posso acertar meu alvo, mas terá sido sorte, um momento fugaz seguido de milhares de fechas perdidas no chão.
Não sinto como se eu fosse fazer realmente falta para alguém se decidisse abandonar o quarto escuro onde sempre estive. Talvez fizesse falta, mas não a falta que você me faz sem que eu nem sequer tenha te conhecido.
Por favor, não demora...
Entra nesse facebook logo que eu quero dormir!
domingo, 18 de setembro de 2011
Impotência do mundo sensível
Eu conheci você. Você sorriu, eu sorri.
Eu conheci você. Eu falei, você escutou.
Você me conheceu. Eu expliquei, você tentou entender.
Eu convivi com você. Eu cantei, você riu.
Eu beijei você. Eu sorri, você brilhou.
Eu machuquei você. Eu fui sincera, você desmoronou.
Você me perdoou. Você me viu.
Dentro de mim, desde o começo.
Você sabia que eu não te magoava por não te gostar.
Au contraire, mon enfant.
Eu construí um cristal, você guardou.
Agora, ela me difamou, você ouviu.
Ela mentiu, você me julgou.
Você não me vê mais.
E o cristal quebrou.
Por que me sinto tão impotente?
quinta-feira, 28 de julho de 2011
Carrée
Levantei. Finalmente livre, senti. Mas o sentimento me atordoou. Livre de que? Ha poucos instantes, me obrigava na tarefa de procurar, escanear, re-vistar. Mais e mais vezes, as mesmas janelas, as mesmas conversas, as mesmas pessoas. Sempre em constante movimento, como em uma quadrilha. Na qual nao fui chamada para dançar. Mais ainda assim estou paralisada. Paralisada de anseio, de curiosidade e de comodismo e de ocio.
Minha corrente é a espera-nça de uma nova janela com uma nova resposta ou com um rosto desejado, preso em um quadrinho, com palavras presas em um quadro maior: o da falta de expressividade. Espero como quem espera um parente distante depois da guerra. Sou obrigada a esperar, mas nao sei porque.
Em certo momento, acho engraçado pensar que para os filosofos ja estavamos presos ao mundo das aparencias. Para alguns teologos, estavamos presos ao corpo. Ainda consigo sentir as duas prisoes, mesmo sabendo que o meu mundo das ideias é mais uma nova prisao que o nefasto mundo das aparencias me permite criar. A intençao aqui nao é filosofar. Mas me surpreendo ao tentar estipular a quantidade de prisoes às quais eu estaria realmente confinada.
Ao sair de uma delas, logo começo a refletir e decido retornar, com o pensamento quadrado para caber bem nesse espaço.
[encaro a tela-cela]
moderna promessa
de tudo me ensinar
[até de me libertar?]
Com um haicai* retangular (tomei a liberdade de profanar as tres linhas dos verdadeiros haicai), sucumbo a esta "modernosa-idade" fazendo as devidas reverencias ao meu computador. Era o que faltava!
sexta-feira, 3 de junho de 2011
Complexo de Mariana
Você sabe, sempre acreditei que o amor conjugal acontecia apenas uma vez. E até hoje acredito que é assim. Mas não acredito no amor à primeira vista, mesmo que à primeira vista já tenha me sentido conectada com várias pessoas (genes, talvez). Não acredito no Amor de Perdição, acredito no amor cotidiano.
Assim, primeiro você simpatiza e se interessa pela pessoa para, com o tempo, passar a amá-la por todos os dias que passou ao seu lado e por tudo que construíram juntos. Em teoria é isso, sempre achei. Mas na minha vida, não aconteceu assim.
Quando era mais jovem, li a novela de Camilo Castelo Branco e confesso que senti um grande mal estar. Não acreditava que fosse amor o sentimento entre os dois personagens principais. Talvez uma ilusão, uma utopia... Até que apareceu Mariana, a garota que realmente conviveu com o rapaz, que o ajudou e que tinha motivos para dizer que o amava e, quem sabe, para ser retribuída. Nos romances, sempre gostei mais das segundas mulheres, pois elas tinham que fazer mais do que ser bonitas, chorosas e o amor da vida de um protagonista. Mas na vida real, não aconteceu assim.
Nunca tive que lutar pelo amor, nunca vi meu amor sofrer por outra mulher. Na maior parte das vezes, me sentia Teresa. Mas eu não sou escandalosamente bela, nem sensível, nem frágil, nem terna, nem... Não fazia sentido ser o objeto de um amor arrebatador. Mas não reclamava.
Só que a minha novela foi contada ao contrário. Um dia, a verdadeira Teresa apareceu e reivindicou seu posto de mulher amada. Muy bien. Quando a Teresa aparece, não demora muito para que a gente perceba. Nós, Marianas. E, hoje, estou aqui, de mãos atadas. Temendo pelo dia em que o Amor de Perdição te fará pular de um navio. Ela chorará, com certeza. Talvez terá que casar um primo, mas provavelmente sempre lembrará de ti.
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