Sentado confortavelmente em um sofá caramelo, Jean conversava com sua namorada. Animadíssima, ela exibia uma camiseta vermelha com uma estranha imagem pintada.
- Olha que lindo! Eu que fiz! – disse a menina com uma voz fina, enjoativa e que lembrava a imitação mal feita da voz de outra pessoa.
Jean resolveu provocar dizendo, com uma voz fina, enjoativa e que lembrava a imitação mal feita da voz de outra pessoa, que era mentira, que ela nunca teria feito aquilo. Contrariada, ela resolveu provar:
- Fui eu! – Disse em tom orgulhoso e com a mesma voz fina, enjoativa e que lembrava a imitação mal feita da voz de outra pessoa. – Eu fiz na minha oficina de estêncio.
Seu namorado, não se dando por satisfeito, resolveu especular. Perguntou, como quem não quer nada e com sua típica voz fina, enjoativa e que lembrava a imitação mal feita da voz de outra pessoa, se ela havia paquerado algum garoto. A menina retrucou dizendo que não, não havia paquerado ninguém, mas que o professor bem que tinha lhe dado bola. Jean amarrou a cara e disse que ela ficasse com o professor então. Sua namorada tentou consertar.
- Na verdade, ele não era professor, ele era só o menino que tava ensinando a fazer. – explicou apressadamente.
- Ah, então foi por isso que tu paquerou com ele? – indagou Jean, com um tom divertido antes de ambos caírem na gargalhada.
***
- Miau meeeê meow – disse a gata Panqueca com voz fina, enjoativa e que lembrava a imitação mal feita da voz de outra pessoa. Ela estivera escutando a narração de toda a historinha acima. Como poucos sabem miauês, traduzirei a palavras de Panqueca na seguinte frase: “Não entendi porque todo mundo tem a mesma voz!”
- Porque sou eu quem narra, oras! – disse a autora com uma voz que lembrava a voz fina e enjoativa, isto é, caso ela estivesse tentando fazer a imitação da voz de alguém.
terça-feira, 29 de abril de 2008
segunda-feira, 14 de abril de 2008
A origem das torturas dentárias

Assistindo clipes de rappers ou cantores de hip-hop com todos os seus ouros e aparelhos de diamantes, me recordei de uma história sem precedente na história da humanidade. Tal história marca o início de um método de tortura menos estudado que utilizado, a tortura dentária. A pergunta que deu origem a esta história foi: da onde surgiu a idéia de arrancar os dentes saudáveis dos homens com métodos grotescos e sem nenhuma anestesia?
Aconteceu há muito tempo, poderia ter sido na época da Pedra Polida, mas não o foi por um simples querer do Tempo que acreditava que a Idade Média era o cenário ideal para o desenrolar da história. A nossa personagem principal é Rufão, nobre senhor feudal, glutão e colecionador de inimigos. Rufão, como todos naquela época, tinha um nome, uma vírgula e um predicativo logo após a vírgula que representava a característica pela qual ele ficaria conhecido através da história. No entanto, o acaso, que aqui quer dizer uns ladrões miseráveis, mudou significativamente o curso da sua história.
Rufão, Dentes de Diamantes. Como disse, Rufão era tão odiado quanto rico, e sua riqueza não se limitava aos 32 dentes de diamantes que colocara na boca. Um dia, recebeu um mensageiro em seu palácio que trazia uma carta do Rei de ***, reino onde se encontravam as suas terras. Segundo a carta, o Rei requisitava com urgência a sua presença em Rois, pois o reino estava na iminência de ser atacado pelos malditos ugevêses, bárbaros que se disseminavam como doença viral pelo seu território: tomando suas mulheres, matando suas crianças, comendo suas lebres e construindo casas cafoníssimas por onde passavam.
Rufão, que há muito passara a discordar das posições e alianças feitas pelo Rei, estava muito pouco interessado em entrar nessa furada, portanto, mobilizou apenas 30 de seus guerreiros e partiu para Rois, a fim de comunicar sua resolução ao Rei e aos outros senhores que lá se reuniriam.
Rufão cavalgava sempre a frente de seus guerreiros, pois não temia os pequenos vermes que se escondiam na estrada, desconhecia ele, que esses vermes agora integravam um clã e já tinham ótimas estratégias de assalto. Nessa época, além dos imensos vestidos com armação e das perucas brancas, também estavam em alta os seqüestros. Percebendo a aproximação de uma figura bem vestida e de dentes reluzentes, os bandidos imediatamente o reconhecerem como nobre e, ora, você já sabe o que aconteceu! Não passou outra coisa pela cabeça destes que não seqüestrá-lo e pedir uma boa recompensa para a sua família. E assim o fizeram.
Os soldados, que não estavam muito interessados em viajar até Rois, não se importaram de, após simular uma luta, voltar correndo para o palácio e avisar às esposas de Rufão o ocorrido.
Os ladrões já pensavam em como negociar o resgate quando, finalmente, reconhecendo o nosso glutão se deram conta da riqueza que estava escondida por aqueles lábios e aquelas bochechas gordas. Não era à toa que Rufão não dava um piu. Mal acreditando na sorte, os ladrões sem demora tiraram-lhe toda a roupa, roubaram suas moedas e o amarraram em uma árvore, pegaram uma maça e, sem cuidado algum, abriram-lhe a boca e começaram a arrancar-lhe os dentes. Após arrancarem uns vinte, pararam.
Esta parte da história é uma incógnita, pois não possuíam nenhum empecilho, pelo menos ao que nos parece. Porém, o desfecho da história nos permite algumas especulações...
Prossigamos: enfim, encontrou-se Rufão alguns dias depois: desnudo e amarrado a mesma árvore em que haviam arrancado alguns de seus dentes. Ele estava faminto, mas a boca já cessara de sangrar e ao ver seus homens, relatam que até emitiu "um sorriso sereno". Ao pé de Rufão, encontraram um pedaço de couro marcado com algumas escrituras. Poucos sabiam ler naquela época, nem o nobre Rufão o sabia. Demorou-se meio século especulando como ladrões do mato desenvolveram essa arte.
Por fim, após longos estudos descobriu-se que estes mesmo ladrões haviam inventado um novo idioma, que posteriormente foi adotado pelos habitantes do feudo de Rufão, e que no pedaço de couro haviam escrito:
“Coma menos lagarto,
Rufão, Bafo de gato!"
Rufão, Bafo de gato!"
terça-feira, 18 de março de 2008
Meus sentidos
- Me abraça!
Algumas notas...
Leading me through all the way back home
Breaking with the self I was before
Now that time have changed
My memories are old, much too old
Sitting here, watching the river flow
If only you and I could say hello
Listening to the sound of silence
But you don't hear it anymore
Instintivamente aproximo meu nariz da tua nuca, o cheiro quente de shampoo e cabelo me envolvem... Sim, é bom se sentir assim.
Enterro meu nariz no travesseiro que dividimos como para me resguardar do mundo! Só o calor do cabelo, a percepção de uma respiração calma e a música ao fundo...
The flowing water takes my soul away
A last farewell with nothing more to say
But behind the rippling waves
I will become part of the river once again
So it's time for me to go back on my own
My new self joins the unity and keeps the river flow
This is not the right time
Our path will cross and we will meet again
Ergo minha cabeça e procuro repouso em teu peito...
Após algum tempo procuro os traços da tua face, enquanto tu reclamas que o meu queixo espeta tuas costelas. Volto à posição antiga e tento prestar atenção na voz que canta...
You should have told me that it got too rough
You asked for everything but maybe everything was not enough
Um movimento da tua mão me distrai novamente, tateio a procura dela.
Quando elas se entrelaçam, me perco novamente tentando entender a importância deste pequeno acontecimento...
Tua mão encobre a minha, e eu me sinto...
Sinto minha própria mão em todas as suas células e caracteres, como quem sente pela primeira vez o perfume que o acompanhou a vida toda, que sempre estivera ali.
Sinto-me menos... Menos estranha e deslocada. Sinto-me menor, com minha grande mão diminuída pela tua e me sinto delicada, entendo que o meu lado mais feminino desabrocha...
All divine and multicolored in many different ways
Enthralled to see the other side
I'm aware of all the beauty - from now on
Os meus medos me abandonam, aquieto-me após tentar ficar o mais próximo de ti, pra absorver teu calor, teu cheiro e para sentir-me...
All life reflected in the water, full of light
Moving gently far away
All this light will still surround me - from now on
...Feliz.
(PS.: A música utilizada no texto pertence a RPWL e se chama Everything Was Not enough)
Algumas notas...
Leading me through all the way back home
Breaking with the self I was before
Now that time have changed
My memories are old, much too old
Sitting here, watching the river flow
If only you and I could say hello
Listening to the sound of silence
But you don't hear it anymore
Instintivamente aproximo meu nariz da tua nuca, o cheiro quente de shampoo e cabelo me envolvem... Sim, é bom se sentir assim.
Enterro meu nariz no travesseiro que dividimos como para me resguardar do mundo! Só o calor do cabelo, a percepção de uma respiração calma e a música ao fundo...
The flowing water takes my soul away
A last farewell with nothing more to say
But behind the rippling waves
I will become part of the river once again
So it's time for me to go back on my own
My new self joins the unity and keeps the river flow
This is not the right time
Our path will cross and we will meet again
Ergo minha cabeça e procuro repouso em teu peito...
Após algum tempo procuro os traços da tua face, enquanto tu reclamas que o meu queixo espeta tuas costelas. Volto à posição antiga e tento prestar atenção na voz que canta...
You should have told me that it got too rough
You asked for everything but maybe everything was not enough
Um movimento da tua mão me distrai novamente, tateio a procura dela.
Quando elas se entrelaçam, me perco novamente tentando entender a importância deste pequeno acontecimento...
Tua mão encobre a minha, e eu me sinto...
Sinto minha própria mão em todas as suas células e caracteres, como quem sente pela primeira vez o perfume que o acompanhou a vida toda, que sempre estivera ali.
Sinto-me menos... Menos estranha e deslocada. Sinto-me menor, com minha grande mão diminuída pela tua e me sinto delicada, entendo que o meu lado mais feminino desabrocha...
All divine and multicolored in many different ways
Enthralled to see the other side
I'm aware of all the beauty - from now on
Os meus medos me abandonam, aquieto-me após tentar ficar o mais próximo de ti, pra absorver teu calor, teu cheiro e para sentir-me...
All life reflected in the water, full of light
Moving gently far away
All this light will still surround me - from now on
...Feliz.
(PS.: A música utilizada no texto pertence a RPWL e se chama Everything Was Not enough)
quarta-feira, 30 de janeiro de 2008
Foto Novela - Capítulo Um

Durante a necropsia...
Shirley - ...pois é, Kalena, não sei se Ody é índia, mas quando ela chegou aqui, quase não falava, era só com Larissa e Diego o tempo inteiro....e agora...aff!!
Kalena - Menina, é isso que estou dizendo, ela não falava porque ainda não tinha aprendido o idioma. Só sabia o dialeto indígena da aldeia dela, tadinha! E como o povo de Imperatriz é bilíngue, fala português e dialetos indígenas também, ela se comunicava só com eles.
Shirley - Ahhh ta! Entendi! Então qualquer dia ela aparece com um toco no lábio inferior, né? .... Sim, Eliz, aqui estão as anotações da necropsia. Passe a limpo e entregue pra Solanja.
Eliz - Tá ok! Deixa eu dar uma lida aqui nesse garrancho.... Ei! Gente, olha isso aqui, Shirley escreveu “aumento normal” com “O”. Ficou “omento” normal! (risos)
Seane: Não, Não! Ela não quis dizer “aumento”, ela quis dizer “Helminto” !!!! (risos)
Isabela: Não, gente! Ela quis dizer “eu minto”, ou seja, ela mente normalmente! (risos)
Kalena: Ei, turma!! Não vamos dispersar....OLHA A PULGA, ISABELA!!!
Texto feito por Kalena
(PS.: O omento realmente existe, mas a dúvida também: era aumento normal ou omento normal?)
sexta-feira, 25 de janeiro de 2008
Fuga
Eu simplesmente não aprecio os meus textos feitos em momentos em que não me sinto bem, mas eu vou tentar mudar isso agora!
Não vou escrever nenhuma historinha sem graça hoje, pra variar mesmo!
Lembrei de coisas que gostaria de falar aqui, mas que ainda não estavam devidamente encaminhadas...
Eu vou começar pela segunda coisa, a qual se manifesta agora "in my mind"
Razão X Emoção é um duelo clássico da história da humanidade. É extremamente comum escutarmos: "Ela se deixou levar pela emoção!" ou "Desculpe, agi sem pensar!".
Eu mesma costumava utilizar incessantemente esta última frase, até que um professor me explicou que isso não ocorria. Em primeiro lugar: Tente parar de pensar! É meio difícil não?
Em segundo lugar: se uma pessoa age sem pensar, deduz-se que ela, no mínimo, estava com as emoções a flor da pele, certo? Porém, como alguns autores frisam, ninguém é exclusivamente racional, nem, tão pouco, age apenas pela emoção...
É uma ótima lição de retórica para se aprender na universidade. Mas, duvido se Perelman ou Américo falariam a mesma coisa depois de cometerem uma atitude burra e sem-pra-quê.
A primeira coisa que eu pensava em escrever...
Bem, essa eu vou deixar pra depois, ela merece uma ser postulada adequadamente!
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