Fui indicado pelo blog “Da fenomenologia à Ontologia hermenêutica” - http://sobreminhamente.blogspot.com/
As regras do Meme são as seguintes:
1. Linkar a pessoa que te indicou.
2. Escrever as regras do Meme em seu blog.
3. Contar 6 coisas aleatórias sobre você.
4. Indique mais 6 pessoas e coloque os links no final do post.
5. Deixe a pessoa saber que você a indicou, deixando um comentário para ela.
6. Deixe os indicados saberem quando você publicar seu post.
Lá vão os seis detalhes aleatórios sobre mim:
1. Penso como uma pessoa gorda
2. Gosto de pensar que tenho muitos motivos para sofrer
3. Um dos meus maiores prazeres é pisar em uma terra cheia de pedrinhas e escutar o barulhinho. Huuuummmm...
4. Não entendo o porquê da minha vida
5. Muitas vezes não sei o que escrever no meu blog
6. Tenho 1000 objetivos, poucos deles reais, por isso ando meio ao sabor do vento, pagando para ver onde vou parar.
Os seis blogs:
A caixa selada [http://acaixaselada.blogspot.com/]
Blog do Comendador P... mais Garcia Marquez que eu conheço [http://baixofalante.blogspot.com/]
Zine colorido [http://chavescamila.blogspot.com/]
O Furico a uma dedada de distância [http://www.furicoonline.blogspot.com/]
Blog do Gordinho [http://cognitivoj.blogspot.com/]
Laila A-Razzo [http://www.razzo.blogger.com.br/]
sábado, 17 de janeiro de 2009
terça-feira, 13 de janeiro de 2009
Filosofia Culinária
Rooooonc. Seu estômago roncou tão alto que quase abafou a frase do professor. Na verdade, todas aquelas palavras já não faziam tanto sentido...
Forçou-se a prestar atenção na aula, mas como por birra, seu cérebro desviou rapidamente o pensamento para um restaurante qualquer, sem que o dono do corpo sequer notasse. Márcio conseguiu voltar a si, bem a tempo da próxima frase do mestre:
– Não resta dúvida de que todo o nosso conhecimento começa pela experiência – disse confiante o homem, enquanto levantava os óculos que já escorregavam para a metade do nariz. Encarou a turma, entusiasmado e provocativo, como se esperasse uma tempestade de questionamentos em plena uma hora do sábado.
Márcio não fez tão pouco do professor quanto a maioria da sala, que se distraia a qualquer ruído de folha de papel caindo no chão. Mesmo porque seu estômago não parava de protestar. Não sabia do que o professor estava falando, mas não era de comida! Isso não era.
Que outra explicação haveria para uma frase como aquela? Isso é bem filosofia, pensou. Ficou ensimesmado, pensando que os filósofos só poderiam ser loucos, ou então se faziam. Era só começar pelo arroz, para perceber que aquilo não estava muito certo.
Ora, ora. Que experiência poderia ter levado ao conhecimento daquela receita de arroz Maria Isabel, que ele tanto amava? Com certeza não havia sido nenhuma experiência sensível. Era só imaginar o homem pré-histórico, ou sabe se lá quando descobriram o arroz. A questão é que, de longe, o arroz cru era muito sem graça. E, para falar a verdade, de perto também.
Imaginou um homem entrando num terreno alagado e se deparando com aquelas plantinhas franzinas. Ele ia passar direto até que, curioso, resolveu mexer em uns pontinhos amarelos que pareciam conchinhas. Pegou uma e apertou na mão e, para sua surpresa surgiu um pequeno grão, meio amarelo meio esbranquiçado. Levou à boca sem muito animo, era mais pra sentir do que realmente a crença de que aquilo pudesse algum dia servir de alimentação.
Mordeu devagar e depois um pouco mais forte. O grão se partiu em dois e ficou dançando pela boca. Um escorregou logo pela faringe, mas o outro achou de encontrar um buraco em um dente cariado e ali se instalar, sem o menor jeito. Foi uma explosão de dor e uma experiência traumática...
O barulho das cadeiras arrastando fez Márcio despertar. O professor encerrara a aula e muitos alunos já estavam atravessando a porta. Olhou o professor arrumando sua bolsa para sair também e se perguntou se valeria à pena argumentar. Achou que não. Na hora do almoço ele entende.
Forçou-se a prestar atenção na aula, mas como por birra, seu cérebro desviou rapidamente o pensamento para um restaurante qualquer, sem que o dono do corpo sequer notasse. Márcio conseguiu voltar a si, bem a tempo da próxima frase do mestre:
– Não resta dúvida de que todo o nosso conhecimento começa pela experiência – disse confiante o homem, enquanto levantava os óculos que já escorregavam para a metade do nariz. Encarou a turma, entusiasmado e provocativo, como se esperasse uma tempestade de questionamentos em plena uma hora do sábado.
Márcio não fez tão pouco do professor quanto a maioria da sala, que se distraia a qualquer ruído de folha de papel caindo no chão. Mesmo porque seu estômago não parava de protestar. Não sabia do que o professor estava falando, mas não era de comida! Isso não era.
Que outra explicação haveria para uma frase como aquela? Isso é bem filosofia, pensou. Ficou ensimesmado, pensando que os filósofos só poderiam ser loucos, ou então se faziam. Era só começar pelo arroz, para perceber que aquilo não estava muito certo.
Ora, ora. Que experiência poderia ter levado ao conhecimento daquela receita de arroz Maria Isabel, que ele tanto amava? Com certeza não havia sido nenhuma experiência sensível. Era só imaginar o homem pré-histórico, ou sabe se lá quando descobriram o arroz. A questão é que, de longe, o arroz cru era muito sem graça. E, para falar a verdade, de perto também.
Imaginou um homem entrando num terreno alagado e se deparando com aquelas plantinhas franzinas. Ele ia passar direto até que, curioso, resolveu mexer em uns pontinhos amarelos que pareciam conchinhas. Pegou uma e apertou na mão e, para sua surpresa surgiu um pequeno grão, meio amarelo meio esbranquiçado. Levou à boca sem muito animo, era mais pra sentir do que realmente a crença de que aquilo pudesse algum dia servir de alimentação.
Mordeu devagar e depois um pouco mais forte. O grão se partiu em dois e ficou dançando pela boca. Um escorregou logo pela faringe, mas o outro achou de encontrar um buraco em um dente cariado e ali se instalar, sem o menor jeito. Foi uma explosão de dor e uma experiência traumática...
O barulho das cadeiras arrastando fez Márcio despertar. O professor encerrara a aula e muitos alunos já estavam atravessando a porta. Olhou o professor arrumando sua bolsa para sair também e se perguntou se valeria à pena argumentar. Achou que não. Na hora do almoço ele entende.
domingo, 16 de novembro de 2008
Fazendo estórias dos fatos
Crônica baseada na notícia:
Adesivo de bicheiro dá "imunidade" no Rio
O adesivo de um haras de propriedade de um bicheiro colado no vidro traseiro do carro é usado por moradores da zona norte do Rio como salvo-conduto para evitar blitze da polícia e assaltos a automóveis.
O Haras Escafura, de cavalos de corrida, pertence ao bicheiro José Caruzzo Escafura, o Piruinha, 78. Seu Zé, como é respeitosamente chamado pelos moradores, é "dono" da contravenção em mais de dez bairros da zona norte do Rio e já chegou a ser preso no início da década de 1990, com a cúpula do jogo --hoje, está solto.
"O adesivo me salvou. Iam roubar meu carro, mas viram o plástico e perguntaram: "Você trabalha na banca (de jogo do bicho)? Então pode ir!" Não trabalho, mas disse que sim", contou um comerciante da região, que abriga máquinas de caça-níqueis da família e pediu para não ter o nome publicado.
Um advogado disse à reportagem ter vivido situação semelhante. Foi liberado de um roubo a mão armada depois de um criminoso ver o plástico redondo, em preto e branco, com a imagem da cabeça de um cavalo. "Deixa ir embora, tá com o plástico, tá com o plástico!", gritou um deles.
A dica para Valéria Souza usar o símbolo veio da própria polícia, diz ela. Um PM parou seu carro, que estava com documentos e IPVA atrasados. "Pede o adesivo do haras do Seu Zé, que ninguém mais vai incomodar em blitz. Com o plástico você passa direto." Folha, 21 de agosto.
Os bandidos e o plástico
O advogado estava atravessando a rua para chegar ao carro que estacionara do outro lado, sem perceber o pequeno movimento vindo de um bar abandonado que estava ao lado de seu carro. A iluminação da rua vinha de um único poste há 10 metros de distância e do letreiro com o nome da farmácia que acabara de sair. Bastou chegar perto do carro para perceber os dois vultos armados que caminhavam na sua direção.
– Calado! Calado, chegado! – disse o primeiro muito rápido – Passa tudo! Passa tudo, se não te meto bala! – falou e posicionou a arma na direção do peito do advogado.
Este tremia e tentava tirar a carteira e o celular ao mesmo tempo, forçando o bolso, tremendo e apertando os dedos no jeans duro da calça. O primeiro cara ficava cada vez mais nervoso gritava que ia matá-lo e ferrar com a família dele.
– Eu sou veneno chegado, não brinca comigo! Eu já saí da cadeia.
Ainda mais amedrontado, o celular parecia afundar cada vez mais no bolso, que a esta altura parecia um poço para as mãos suadas e descontroladas do advogado.
Na situação que estava, ele não teve tempo de reparar no outro homem, apenas sabia que ele não estava mais do seu lado. Não sabia há quanto tempo não estava mais por perto, pois aqueles pequenos instantes eram, sem dúvida, os momentos mais longos da sua vida.
Foi quando ouviu o grito:
– Deixa ir embora, tá com o plástico, tá com o plástico!
O outro imediatamente “gelou”. Pálido, perguntou:
– Tem certeza, porra?
– Tenho! É o plástico, é homem de seu Zé! Vamo embora, mermão!
– Espera, bicho. – disse nervoso e tirou uma faca do bolso.
– O que tu vai fazer bicho? Vamo vazar! – o outro partiu pra cima do amigo e puxou sua camisa de uma vez, na direção da rua escura ao lado.
Deixaram o advogado paralisado no meio daquela semi-escuridão. Ainda estava com a mão no bolso, mas só percebeu isso quando começou a sentir um latejar nos seus dedos vermelhos. Percorreu o carro tentando entender de que plástico os bandidos falavam, mas encontrou apenas o velho adesivo com a cabeça de um cavalo na traseira do seu carro. Deu mais algumas voltas no automóvel até se convencer que aquele era o único plástico visível naquele lugar. Entrou no carro, sem querer exigir mais nada da sorte e prometeu a si mesmo que, a partir de então, compraria qualquer adesivo que lhe oferecessem em sinais.
Adesivo de bicheiro dá "imunidade" no Rio
O adesivo de um haras de propriedade de um bicheiro colado no vidro traseiro do carro é usado por moradores da zona norte do Rio como salvo-conduto para evitar blitze da polícia e assaltos a automóveis.
O Haras Escafura, de cavalos de corrida, pertence ao bicheiro José Caruzzo Escafura, o Piruinha, 78. Seu Zé, como é respeitosamente chamado pelos moradores, é "dono" da contravenção em mais de dez bairros da zona norte do Rio e já chegou a ser preso no início da década de 1990, com a cúpula do jogo --hoje, está solto.
"O adesivo me salvou. Iam roubar meu carro, mas viram o plástico e perguntaram: "Você trabalha na banca (de jogo do bicho)? Então pode ir!" Não trabalho, mas disse que sim", contou um comerciante da região, que abriga máquinas de caça-níqueis da família e pediu para não ter o nome publicado.
Um advogado disse à reportagem ter vivido situação semelhante. Foi liberado de um roubo a mão armada depois de um criminoso ver o plástico redondo, em preto e branco, com a imagem da cabeça de um cavalo. "Deixa ir embora, tá com o plástico, tá com o plástico!", gritou um deles.
A dica para Valéria Souza usar o símbolo veio da própria polícia, diz ela. Um PM parou seu carro, que estava com documentos e IPVA atrasados. "Pede o adesivo do haras do Seu Zé, que ninguém mais vai incomodar em blitz. Com o plástico você passa direto." Folha, 21 de agosto.
Os bandidos e o plástico
– Calado! Calado, chegado! – disse o primeiro muito rápido – Passa tudo! Passa tudo, se não te meto bala! – falou e posicionou a arma na direção do peito do advogado.
Este tremia e tentava tirar a carteira e o celular ao mesmo tempo, forçando o bolso, tremendo e apertando os dedos no jeans duro da calça. O primeiro cara ficava cada vez mais nervoso gritava que ia matá-lo e ferrar com a família dele.
– Eu sou veneno chegado, não brinca comigo! Eu já saí da cadeia.
Ainda mais amedrontado, o celular parecia afundar cada vez mais no bolso, que a esta altura parecia um poço para as mãos suadas e descontroladas do advogado.
Na situação que estava, ele não teve tempo de reparar no outro homem, apenas sabia que ele não estava mais do seu lado. Não sabia há quanto tempo não estava mais por perto, pois aqueles pequenos instantes eram, sem dúvida, os momentos mais longos da sua vida.
Foi quando ouviu o grito:
– Deixa ir embora, tá com o plástico, tá com o plástico!
O outro imediatamente “gelou”. Pálido, perguntou:
– Tem certeza, porra?
– Tenho! É o plástico, é homem de seu Zé! Vamo embora, mermão!
– Espera, bicho. – disse nervoso e tirou uma faca do bolso.
– O que tu vai fazer bicho? Vamo vazar! – o outro partiu pra cima do amigo e puxou sua camisa de uma vez, na direção da rua escura ao lado.
Deixaram o advogado paralisado no meio daquela semi-escuridão. Ainda estava com a mão no bolso, mas só percebeu isso quando começou a sentir um latejar nos seus dedos vermelhos. Percorreu o carro tentando entender de que plástico os bandidos falavam, mas encontrou apenas o velho adesivo com a cabeça de um cavalo na traseira do seu carro. Deu mais algumas voltas no automóvel até se convencer que aquele era o único plástico visível naquele lugar. Entrou no carro, sem querer exigir mais nada da sorte e prometeu a si mesmo que, a partir de então, compraria qualquer adesivo que lhe oferecessem em sinais.
quinta-feira, 6 de novembro de 2008
Onde fica a história dos motoristas intransigentes?
Desci do ônibus com meu cunhado e fui andando no meio fio, esperando pelo momento de atravessar. Passou um carro e talvez dois, mas eu e Arthur continuávamos conversando distraidamente no meio fio. Percebi que um ônibus iria passar na rua e resolvi esperar no mesmo lugar. Qual não foi a minha surpresa quando o ônibus veio diretamente na minha direção. Esperei um pouco para ver se ele desviaria: nem sinal de desvio. Parei de pensar e recuei para o outro lado da pista, bem a tempo do ônibus passar, sacudindo os meus cabelos com a proximidade.“Porra – resmunguei – isso aqui não era pra ser o meio fio?”, perguntei ao meu cunhado. O “meio fio” a que me referia era apenas duas listras amarelas paralelas pintadas no chão e pontuadas aqui e ali por algumas pedras (?) também amarelas e florescentes. “Fosse o que fosse, era pra ser o meio fio”, pensei.
Foi aí que meu cunhado me fez uma confissão. Ele disse que isso é que era o “foda” da História. Não entendi. “Se, no futuro, eu pegasse um documento que falasse sobre o trânsito dessa época, lá poderia estar registrado que os carros não podiam invadir o meio fio, mas na prática eu não saberia o que aconteceu. Eu nunca saberia que, em uma terça à noite, um ônibus invadiu o meio fio e quase atropelou uma pessoa”, explicou.
Desde então, a informação começou a incomodar os meus neurônios, como se fosse uma coceirinha e se torna uma grande coceira. O que Arthur tinha dito era uma verdade incontestável. Ou quase. Afinal, o que é um documento? Pra mim, que não sou perita nisso, um documento pode ser praticamente qualquer coisa que fale, descreva ou registre alguma coisa. Com esta idéia, recorri ao computador e mais que rapidamente redigi esse pequeno texto para não ficar fora da história.
Quem sabe daqui a alguns anos, pesquisando nos lixões eletrônicos do século XXI, encontrem o meu humilde blog e este depoimento venha à luz. Então as pessoas saberão coisas realmente relevantes do nosso tempo: o dia-a-dia fora dos Diários Oficiais e a rotina desprezada enquanto acontecimento.
quinta-feira, 21 de agosto de 2008
O bater de asas amarelas
Há dois ou três dias (18 e 19), São Luís do Maranhão foi invadida por milhares de borboletas amarelas, ou, melhor, isto é o que o portal imirante e a globo dizem.
Para mim foi muito diferente... Estava em casa, lendo alguns textos esquecidos e aproveitando o conforto da minha cama, quando o Sol inundou o meu quarto. Imediatamente me levantei para fechar a janela... Observei a rua e o céu pela janela, e tudo parecia mais que normal, se não houvesse reparado no comportamento incomum das borboletas amarelas. Nunca imaginei que existiam tantas no meu bairro, mas pensei que apenas estavam fugindo de algum barulho ou de alguma construção que houvesse destruído o seu habitat. Encostei um pouco a janela para que nenhuma delas, que voavam sobre os telhados e vinham na direção da minha casa, entrasse no meu quarto, porém continuei observando o movimento e esperando, em vão, que este parasse.
Sai correndo para chamar Panqueca, a minha gatinha, e mostrar para ela quanta comida sobrevoava o nosso telhado. Não a encontrei, mas encontrei a secretária da minha casa, e, juntas, ficamos observando boquiabertas enquanto eu tentava fotografá-las, também em vão.
Sai de casa à tarde, já esquecida do ocorrido pela manhã e fui até o centro sem reparar, em nenhum momento, no caminho que percorria. Cheguei ao meu destino e lá estavam as borboletas, voando apressadas por sobre os telhados. Não pude mais ignorá-las. Lembrei dos elfos, ou dos grandes sábios (ficcionais ou não), que escutam a natureza e, imaginei como seria a reação de um destes diante daquele fenômeno. "O sábio subitamente olhou para trás e parou, atenciosamente escutava o vento enquanto observava uma borboleta que por lá voava, até vislumbrar uma nuvem amarela que se movia em sua direção. 'O mundo está mudado', disse ao seu amigo. 'Coisas realmente importantes estão acontecendo neste instante, devemos partir imediatamente. '”.
Desejei como nunca entender o comportamento das borboletas e não conseguia parar de olhar para o céu. Porém, ao meu redor, todos pareciam ignorar a presença delas...
Ontem, no entanto, todos comentavam as milhares de borboletas que passaram pela minha cidade. Uma amiga acreditava que muitas catástrofes aconteceram do outro lado do mundo, devido ao bater das asas. Outra descobriu que as borboletas que vimos não eram simples e inofensivas borboletas amarelas, eram borboletas-vampiros, visto que não apareciam nas minhas fotos, para mim, estavam mais para borboletas-fantasmas, pois, por alguns instantes, até pensei que só eu podia vê-las...
Já os cientistas são um pouco mais sisudos: "ainda segundo os biólogos, o fenômeno pode ter sido provocado pelo aumento da cobertura vegetal que serve de alimento para as borboletas ou por algum desequilíbrio ambiental que tenha provocado a migração dos insetos", veiculou o site imirante.
Para mim foi muito diferente... Estava em casa, lendo alguns textos esquecidos e aproveitando o conforto da minha cama, quando o Sol inundou o meu quarto. Imediatamente me levantei para fechar a janela... Observei a rua e o céu pela janela, e tudo parecia mais que normal, se não houvesse reparado no comportamento incomum das borboletas amarelas. Nunca imaginei que existiam tantas no meu bairro, mas pensei que apenas estavam fugindo de algum barulho ou de alguma construção que houvesse destruído o seu habitat. Encostei um pouco a janela para que nenhuma delas, que voavam sobre os telhados e vinham na direção da minha casa, entrasse no meu quarto, porém continuei observando o movimento e esperando, em vão, que este parasse.
Sai correndo para chamar Panqueca, a minha gatinha, e mostrar para ela quanta comida sobrevoava o nosso telhado. Não a encontrei, mas encontrei a secretária da minha casa, e, juntas, ficamos observando boquiabertas enquanto eu tentava fotografá-las, também em vão.
Sai de casa à tarde, já esquecida do ocorrido pela manhã e fui até o centro sem reparar, em nenhum momento, no caminho que percorria. Cheguei ao meu destino e lá estavam as borboletas, voando apressadas por sobre os telhados. Não pude mais ignorá-las. Lembrei dos elfos, ou dos grandes sábios (ficcionais ou não), que escutam a natureza e, imaginei como seria a reação de um destes diante daquele fenômeno. "O sábio subitamente olhou para trás e parou, atenciosamente escutava o vento enquanto observava uma borboleta que por lá voava, até vislumbrar uma nuvem amarela que se movia em sua direção. 'O mundo está mudado', disse ao seu amigo. 'Coisas realmente importantes estão acontecendo neste instante, devemos partir imediatamente. '”.
Desejei como nunca entender o comportamento das borboletas e não conseguia parar de olhar para o céu. Porém, ao meu redor, todos pareciam ignorar a presença delas...
Ontem, no entanto, todos comentavam as milhares de borboletas que passaram pela minha cidade. Uma amiga acreditava que muitas catástrofes aconteceram do outro lado do mundo, devido ao bater das asas. Outra descobriu que as borboletas que vimos não eram simples e inofensivas borboletas amarelas, eram borboletas-vampiros, visto que não apareciam nas minhas fotos, para mim, estavam mais para borboletas-fantasmas, pois, por alguns instantes, até pensei que só eu podia vê-las...
Já os cientistas são um pouco mais sisudos: "ainda segundo os biólogos, o fenômeno pode ter sido provocado pelo aumento da cobertura vegetal que serve de alimento para as borboletas ou por algum desequilíbrio ambiental que tenha provocado a migração dos insetos", veiculou o site imirante.
Não sei não, hein?
________
Veja o vídeo sobre o fenômeno
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