segunda-feira, 13 de abril de 2015

Meu Facebook ainda lembra de você

Sempre achei que a sua presença constante no meu Facebook se devia às inúmeras vezes em que visitei o seu perfil para ver se não tinha algo novo, algo sobre mim. Mas, ontem, mais de um ano depois da última vez que trocamos qualquer palavra, comecei a digitar um nome na busca e a sua imagem novamente apareceu nas sugestões.

Antes, eu costumava reparar nisso com frequência e achar graça. Testava digitar a primeira letra do teu nome, só para ver se você era a primeira sugestão. Era. Testava, então, a primeira letra dos teus sobrenomes e depois apenas qualquer letra do teu nome, e sempre tinha você como primeiro resultado. Mas fazia um ano que o seu chat não registrava nenhuma mensagem nova. E um ano que o teu feed era bloqueado. Mais de um ano que não havia interação por curtidas e comentários. Um ano que eu tinha me acostumado a te esquecer.

Eu tinha uma teoria de que o Facebook "previa" as pessoas por quem a gente se apaixonava. Lembro que, certa vez, me interessei por um rapaz com quem só conversava na faculdade, nunca no chat da rede social. Mas, sem que eu escolhesse nenhuma preferência, ele aparecia na minha página. A fotinho dele sempre aparecia quando eu visualizava o meu perfil, na seção de amigos. E o Facebook gostava de me dar o doloroso aviso de que a bolinha dele estava verde, mas não era comigo com quem ele estava conversando às 2h da manhã.

Mas no seu caso, não havia nada de misterioso. O Facebook devia saber que, quando estávamos nos conhecendo, eu visitava seu perfil e lia todas as suas postagens, só não sabia que eu morria de vontade de curtir. Devia saber, também, que eu meio que conhecia todas as suas fotos e tinha salvado a minha preferida. Ou o Facebook podia ter simplesmente contabilizado a quantidade de vezes que te chamei no chat.

O que não dava para explicar era essa insistência depois de mais de um ano sem registros. Esse algoritmo não apagava o passado? Porque ele lembrava do quanto eu gostei de você, mas não lembrava de todas as mensagens que mandei e ficaram sem resposta? Por que ele não lembrava que nunca era você que me procurava? Porque ele não lembrava que você nunca curtia minhas fotos e minhas postagens? Porque ele não podia esquecer todas as tolices e esforços que eu fiz por você?

Senti raiva do Facebook! Porque ele era tão burro? Porque ele insistia no que não tinha futuro?

Então, me peguei imaginando o quê o Facebook não saberia de você. Diverti-me com a ideia de imaginar um algoritmo que quisesse dar uma segunda chance para nós dois. Que achasse que tínhamos enfiado os pés pelas mãos. Um algoritmo que ainda visse alguma esperança em simplesmente não termos deletado e bloqueado um ao outro. Até que seria bonito escrever sobre esse amor de Facebook. Talvez fosse algo que você finalmente curtisse.
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Por outro lado, talvez, houvesse algo de mais prático nesse algoritmo de memória eterna. Talvez fosse preciso me lembrar do que eu fiz. Criar um algoritmo irônico para me fazer repensar. Tirar uma onda. Desses investimentos que a gente faz. E se pega refazendo. Ou querendo refazer.

Um comentário:

Louise Muniz disse...

Eu poderia ter escrito esse texto de tanto que me identifiquei com suas palavras.
O algoritmo irônico ainda ri da minha cara.

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