sábado, 18 de agosto de 2012

Egoísta


A visão dela desceu áspera pela garganta. Tive raiva dessa estranha com quem nunca troquei mais do que algumas risadas e palavras bem humoradas sobre histórias que não lembro. Ela é bonita até, mas não está na sua melhor forma. E não posso ser generosa com elas quando se trata de você.

No sorriso amigável dela perto dos meus outros amigos, não via os olhos vivos, a boca, o nariz, nada dessa face que até pouco tempo me era indiferente. Via os vestígios dos teus beijos ainda na boca e no pescoço dela. Juro que posso sentir um fio quase invisível do teu cheiro emanando do corpo dela. Vejo nas costas dela a moldura dos teus abraços, dos delicados e dos vorazes. Por que ela? Por que não eu? Por que não sempre eu?

Se o teu amor é sagrado, por que não me fizeste cúmplice de todos os teus pecados? Mudano, pra mim és divino. Me segurem! Quero arrancar tudo dela. Quero roubar esses momentos que não sei quantos foram. Não quero que elas saibam o que eu sei. Não quero que elas tenham provado o mesmo. 

Não me apresente mais nenhuma. Não deixe que me contem que essa já foi tua e que aquela dormiu na tua cama. Eu quero que seja meu o cheiro deixado no teu travesseiro. Quero que o fio de cabelo no chão do banheiro me pertença enquanto andares errante. Se encontro com uma delas numa mesa de bar, não me aponte. Elas são loucas, elas são xoxas e eu posso ser tudo isso e ainda engraçada, irônica e apaixonada.

Vou puxar a toalha da mesa e derrubar a cerveja dela. Quero que derrame tudo e apague as gotas de suor que escorreste nela. Eu reivindico o teu cansaço, o teu prazer e o coração disparado. Quero o teu bom humor, a tua risada forçada, as tuas gírias estranhas, as tuas conversas bizarras. Quero o teu olhar sem adjetivos e a careta também. Me dá tua canalhice. Me dá as desculpas esfarrapadas e as revelações de bêbado. Quero o café, o croissant e o sorvete que tenha provado com qualquer outra depois Daquela. 

Eu não peço muito. Só queria tudo. Tudo o que sobrou de ti. Sorrio só de pensar que não existiria a amiga da amiga na festinha, a garota estranha na birosca, a anfitriã do apartamento ou a que achou que estaria grávida. Não sei por que procuras. Estou aqui. Desperdiça em mim levianamente o que só queria dar pra Ela. Eu apenas queria todas as alegrias das mulheres que também não amaste. Quanto às tristezas, já tenho todas em mim.

3 comentários:

AquilesMarchel disse...

fanntastico garota
li seui texto no papo de homem e fiquei curioso
boa visão sobre a relação homem mulher
e esse texto seu se mostrou tão ou mais fantastico

Eu reivindico o teu cansaço, o teu prazer e o coração disparado


ahhhhh serio?

Secoelho disse...

Uma pena que obrigada não demonstra nem metade da minha felicidade ao ler comentários assim ^^

José María Souza Costa disse...

Eu vim lhe deixar um convite Vim cá, lê o seu blogue. Eu, tenho um. Muito simples, sem cores e sem nuances. Estou lhe convidando a visitar-me, e se possível, Seguirmos juntos por eles. Estarei lhe esperando lá, afinal o que importa é a Amizade que fazemos e as publicações que expomos.
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